Grande parte das pessoas acreditam cegamente em tudo o que a mídia transmite, vivem em função da moda ou agem e querem ser como artistas da televisão, direta ou indiretamente, é isso o que acontece. No dia-a dia, encontramos com facilidade milhares de propagandas onde as empresas tentam provar a qualidade de seus produtos. A diversidade é imensa, se não tiver uma opinião formada, fica difícil escolher entre tantos, um que seja ideal ao nosso uso. Para garantir a escolha do consumidor, as empresas tentam chamar a atenção através de contato visual, psicologia ou qualquer outra forma de marketing. O objetivo será sempre o mesmo, conquistar espaço em nossas mentes e conseqüentemente em nossos bolsos.
É interessante analisar esses métodos de manipulação e a sutileza com que tudo é feito. Observei na área da beleza, já que hoje em dia é o aspecto físico que vale, que eles atacam a nossa auto-estima com frases induzidas e imagens de homens e mulheres impostamente “perfeitos”. Nos famosos comercias de produtos para cabelos, por exemplo, costumavam aparecer apenas mulheres lindíssimas, com cabelos super lisos, escovados e pranchados afirmavando que tal produto era o responsável por tudo aquilo; que para ficarmos lindas deveriamos comprar, porque com AQUELES cabelos teriamos sucesso em tudo, porque todo mundo usa, porque somos diferentes, porque merecemos, porque isso, porque aquilo e milhares de outras justificativas. Enfim, acabamos nos sentindo na obrigação de comprar.
Como conviver com esse bombardeio de informações e padrões de beleza que nos cercam a cada passo? Para quem conhece, o “Mito da Caverna” é excelente para explicar tudo isso que estamos vivendo, a história daqueles homens que viviam amarrados sem poder ao menos virar o pescoço e sendo obrigados a olhar para uma parede, identifica essas pessoas que vivem presas às futilidades da mídia, impossibilitadas de olharem ao redor para perceber que a vida não é representada somente por “sombras na parede”. As pessoas podem mudar, mas se nunca forem lhes apresentadas uma outra visão do mundo, sempre aceitarão que ser loira, lisa, magra e andar na moda é sinônimo de sucesso.
Fiquei horrorizada quando certa vez na graduação, durante um trabalho acadêmico, encontrei uma reportagem de moda dizendo que o que vestimos revela quem somos e como queremos ser tratados pelos outros. Quer dizer que se eu não estiver “na moda” serei mal vista, ou se estiver vestida de forma simples serei mal tratada? É lamentável admitir, mas é isso mesmo o que acontece. Mais lamentável ainda é ver a pressão que a mídia faz para quem está acima do peso, encontrei até produtos para CABELOS falando das “gordurinhas” do corpo e uma outra de pão integral com o seguinte recado: “É como o seu corpo, quanto menos gordura, mais gostoso.” Pode???
Entendo que para uma sociedade capitalista é assim que as coisas funcionam, sei também que quase toda forma de consumo gira em torno da aparência, mas será que vai ser sempre assim? É muito bom estar com a auto-estima em dia, sertir-se bem diante o outro, estar feliz consigo mesmo... Mas devemos parar de nos iludir com essas estratégias de marketing e controlar nossos impulsos, parar de pensar que somos inferiores por não termos isso ou aquilo, sermos diferentes por dentro, porque por fora somos todos iguais.
Quando uma pessoa começa a pensar diferente, querer sair dessa caverna, passa a entender que ter o nariz da Nicole Kidmam ou encher os seios de silicone não levam ninguém a nada. A porta para essa transformação é ampla onde todos podem entrar e a luz do conhecimento brilha para todos, basta habituar-se, basta querer.
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Data: 08/12/2009
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